17 de fevereiro de 2016

Aprendendo a lidar com a raiva por Thich Nhat Hahn


"No momento em que você sente raiva, você tem a tendência de acreditar que seu sentimento foi criado por outra pessoa. 
Você culpa esta pessoa por todo o 
seu sofrimento.
 Mas, ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento. Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva com que você fica. 

Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas, sem se deixarem afetar tanto pelas circunstâncias. Por que você se enraivece com tanta facilidade? 

Talvez isso aconteça porque a semente da raiva é muito forte, e como você não praticou os métodos destinados a cuidar bem da raiva, a semente dela pode 
ter sido rega da no passado com excessiva freqüência.
Todos temos uma semente da raiva nas profundezas da nossa consciência. No entanto, em alguns de nós, esta semente é maior do que nossas outras sementes como a do amor e a da compaixão.

 A semente da raiva pode ser maior por não ter sido cuidada através da nossa prática no passado.
 Por isso, como já disse, quando começamos a cultivar a energia da plena consciência,a primeira coisa que percebemos com clareza é que a principal causa do nosso sofrimento, da nossa aflição, não é a outra pessoa, e sim a semente da raiva que existe em nós.
 Nesse momento, paramos de considerar a outra pessoa culpada do nosso sofrimento. Compreendemos que ela é apenas uma causa secundária.
 Você sente um enorme alívio ao descobrir isso e começa a se sentir muito melhor. Mas a outra pessoa pode ainda estar sofrendo porque não aprendeu a cuidar da própria raiva. Quando isso acontece, está na hora de ajudar o outro.

Quando não sabemos lidar com o nosso sofrimento, deixamos que ele se derrame sobre as pessoas que estão em volta.
 Quando você sofre, faz com que as pessoas ao seu redor também sofram. Isso é bastante natural. É por esse motivo que temos que aprender a lidar com o nosso sofrimento, para não o espalharmos em torno de nós. 
Quando você é o chefe da família, por exemplo, você sabe que o bem-estar dos seus familiares é extremamente importante. Como você tem compaixão, não permite que seu sofrimento afete os que estão à sua volta. Você pratica e aprende a lidar com seu sofrimento porque sabe que nem ele nem sua felicidade são uma questão individual.

Quando você está com raiva e não quer lidar com ela, fica sem defesa, sofre, e também faz as pessoas à sua volta sofrerem. Sua primeira reação é achar que a 
pessoa que causou a raiva merece ser punida. 
Tem vontade de castigá-la porque ela fez você sofrer.

Mas, depois de praticar durante dez ou quinze minutos a respiração, a meditação andando e o olhar consciente, você compreende que ela precisa de ajuda e não de punição. Esta é uma percepção justa. Essa pessoa pode ser alguém muito próximo a você sua esposa, seu marido, algum dos filhos.
 Se você não ajudá-la, quem o fará?

Depois então de acolher e abraçar a raiva, sentindo-se muito melhor, você nota que a outra pessoa continua a sofrer. Esta percepção gera em você um movimento em direção a ela, num grande desejo de ajudá-la. Trata-se de uma forma completamente diferente de pensar e de sentir, pois o desejo de punir simplesmente desapareceu. 
A raiva se transformou em compaixão.

A prática da plena consciência nos torna mais atentos e perspicazes. Esta capacidade de discernimento é fruto da prática que pode nos ajudar a perdoar e a amar.
 Num período de quinze minutos, ou de meia hora no máximo, a prática da plena consciência, da concentração e do discernimento é capaz de libertar 
você da raiva, enchendo seu ser de amor.
Quando você entende o sofrimento da outra pessoa, você é capaz de transformar seu desejo de punir, passando apenas a querer ajudá-la.
 Quando isso acontece, você sabe que sua prática teve êxito. Você é um bom jardineiro.

Dentro de cada um de nós existe um jardim, e cada praticante precisa voltar para dentro de si mesmo e cuidar dele. Talvez no passado você tenha se dado 
conta disso. Agora, então, precisa saber o que está acontecendo no seu jardim e procurar colocar tudo em ordem. Restaure a beleza e restabeleça a harmonia do 
seu jardim. Muitas pessoas se encantarão com seu jardim se ele for bem cuidado.

Quando éramos crianças, aprendemos a respirar, a andar, sentar, comer e falar. Fizemos tudo isso instintivamente sem pensar. O que eu proponho agora é 
que tomemos consciência dos nossos atos para renascermos espiritualmente. Para isso, temos que aprender a respirar de novo, de um modo consciente. 
Aprender a andar de novo, conscientemente. Aprender a ouvir de novo, com consciência e compaixão. Aprender a falar de novo, com a linguagem do amor, para honrar nosso compromisso original. Dizer a nossa verdade, com respeito e suavidade, e acolher a do outro: “Meu amor, estou sofrendo. Estou com raiva. Quero que você saiba disso”.

Esta frase expressa a fidelidade ao nosso compromisso. Meu amor, estou fazendo o melhor que posso. Estou cuidando da minha raiva. Para o meu bem 
e para o seu. Não quero explodir, destruir a mim e a você. Estou fazendo o melhor que posso.” Esta lealdade provocará respeito e confiança na outra pessoa. E finalmente diremos: “Meu amor, preciso da sua ajuda.” Esta é uma declaração muito poderosa, porque, quando estamos com raiva, geralmente temos a tendência de dizer: “Não preciso de você, não quero te ver pela frente.” Se você puder dizer as três frases anteriores com sinceridade, do fundo do coração, o outro passará por uma transformação. Não duvide dos efeitos dessa prática.

Com o seu comportamento, você consegue influenciar a outra pessoa e incentivá-la a começar a praticar. Ela pensará e sentirá: “Meu parceiro está sendo fiel falando a verdade. Ele está de fato tentando fazer o melhor possível. Preciso fazer a mesma coisa.” Isso significa que, quando cuidamos bem de nós mesmos, estamos cuidando bem da pessoa que amamos. O amor por nós mesmos é a base da nossa capacidade de amar o outro. Se não cuidamos bem de nós mesmos, se não estamos felizes e tranquilos, não podemos fazer a felicidade de mais ninguém. Não podemos ajudar nossos seres queridos, não podemos amá-los. Nossa capacidade de amar uma outra pessoa depende totalmente da nossa capacidade de amar e cuidar bem de nós mesmos.

Nossos ferimentos podem ter sido causados pelo nosso pai ou nossa mãe. Eles repassaram o que sofreram quando crianças. Como não sabiam a forma de curar as feridas da infância, eles as transmitiram para nós. Se não soubermos como transformar e curar nossos próprios ferimentos, vamos transmiti-los para nossos filhos e netos. É por isso que temos que voltar à criança ferida que existe dentro de nós para ajudá-la a ficar curada.

Às vezes, essa criança precisa de toda a nossa atenção. Ela pode emergir das profundezas da nossa consciência pedindo atenção. Se você estiver consciente, ouvirá a voz dela pedindo ajuda. Quando isso acontece, é hora de desligar-se de tudo em torno e voltar-se para dentro, acolhendo e abraçando carinhosamente a criança ferida dentro de você. Respire conscientemente dizendo: “Ao inspirar o ar, volto-me para minha criança ferida; ao soltar o ar, cuido amorosamente da minha criança ferida.” Você precisa praticar e se voltar para a sua criança ferida todos os dias, abraçando-a com carinho, falando com ela. E você também pode escrever uma carta para ela dizendo que reconhece sua presença e fará tudo que estiver ao seu alcance para curar seus ferimentos."

Thich Nhat Hahn em Aprendendo a Lidar com a Raiva
Fonte:http://ventosdepaz.blogspot.com.br/search/label/Thich%20Nhat%20Hanh/

15 de fevereiro de 2016

Resistência, o medo disfarçado ... por Eckhart Tolle


"O ego acredita que a nossa força reside em nossa resistência, quando, na verdade, a resistência nos separa do Ser, o único lugar de força verdadeira.

A resistência é a fraqueza e o medo disfarçados de força.

O que o ego vê como fraqueza é o Ser em sua pureza, inocência e poder. O que ele vê como força é fraqueza.

Assim, o ego existe num modo contínuo de resistência e desempenha papéis falsos para encobrir a “fraqueza”, que, na verdade, é o nosso poder.

Até que haja a entrega, a representação inconsciente de determinados papéis se constitui em grande parte da interação humana. Na entrega, não mais precisamos das defesas do ego e das falsas máscaras. Passamos a ser muito simples, muito reais. “Isso é perigoso”, diz o ego, “Você vai se machucar. Vai ficar vulnerável.”

O ego não sabe, é claro, que somente quando deixamos de resistir, quando nos tornamos “vulneráveis”, é que podemos descobrir a nossa verdadeira e fundamental invulnerabilidade.

Sempre que acontecer uma desgraça ou alguma coisa de ruim na sua situação de vida – uma doença, a perda da casa, do patrimônio ou de uma posição social, o rompimento de um relacionamento amoroso, a morte ou o sofrimento por alguém, ou a proximidade da sua própria morte -, saiba que existe um outro lado e que você está a apenas um passo de distância de algo inacreditável: uma completa transformação alquímica da base de metal da dor e do sofrimento em ouro. Esse passo simples é chamado de entrega.

Quando a sua dor é profunda, tudo o que se disser a respeito vai, provavelmente, lhe parecer superficial e sem sentido.

Quando o seu sofrimento é profundo, você provavelmente tem um grande anseio de escapar e de não se entregar a ele. Você não quer sentir o que está sentindo. O que pode ser mais normal? Mas não tem escapatória, nenhuma saída.

Existem algumas pseudosaídas como o trabalho, a bebida, as drogas, o sexo, a raiva, as projeções, as abstenções, etc., mas elas não libertam você do sofrimento. O sofrimento não diminui de intensidade quando você o torna inconsciente. Quando você nega o sofrimento emocional, tudo o que você faz ou pensa fica contaminado por ele.

Você o irradia, por assim dizer, como a energia que se desprende de você, e outros vão captá-lo subliminarmente.

Se essas pessoas estiverem inconscientes, podem até se ver compelidas a agredir ou machucar você de alguma forma, ou você pode machucá-las em uma projeção inconsciente do seu sofrimento. Você atrai e transmite aquilo que corresponde ao seu estado interior.

De quanto tempo você precisa para ser capaz de dizer:
“Não vou mais criar dores, nem sofrimentos”?

Quanto você ainda tem de sofrer antes de fazer essa escolha?

Se você pensa que precisa de mais tempo, você terá mais tempo – e mais sofrimento. O tempo e o sofrimento são inseparáveis.

Como a resistência é inseparável da mente, o abandono da resistência – a entrega – é o fim da atuação dominadora da mente, do impostor fingindo ser “você”, o falso deus. Todo o julgamento e toda a negatividade se dissolvem.

A região do Ser, que tinha sido encoberta pela mente, se abre.
De repente, surge uma grande serenidade dentro de você, uma imensa sensação de paz.

E, dentro dessa paz, existe uma grande alegria.

E, dentro dessa alegria, existe amor."

Eckhart Tolle
Fonte:http://pensopositivo.com.br/resistencia-o-medo-disfarcado/

10 de fevereiro de 2016

Batalhas inúteis...


"Há coisas que deixei para trás e mesmo sabendo onde encontrá-las, sei que a vida muitas vezes é uma viagem sem volta. Mas eu não tenho medo e nem me arrependo de nada porque sei pelo que vale a pena lutar.
 Muitas batalhas são inúteis e por elas não vale a pena se machucar.

Existem coisas que não perdemos, simplesmente deixamos para trás. Precisamos saber quando é a hora de seguir em frente sem as pessoas e coisas que são muito diferentes de nós, que não possuem os nossos valores e nem a nossa essência.

Quantas coisas você já deixou para trás? Às vezes, analisando tudo o que já vivemos, todo o empenho, todo o esforço, tudo ao que renunciamos por determinada pessoa ou por algum projeto, percebemos que são como a fumaça que escapa através de uma janela aberta.

Muitas vezes não conseguimos perceber a realidade como ela é realmente. Nossas ilusões, esperanças e sonhos nos deixam de “olhos vendados”. Até que chega a decepção, até que chega o momento em que percebemos que a balança da nossa vida está desequilibrada. Não temos nada, não ganhamos nada e o nosso sonho é apenas um sonho ruim.

O que fizemos de errado? Temos que nos arrepender de tudo o que já vivemos? Nunca. Quem não luta pelos seus sonhos não é corajoso, quem não batalha pelas suas ilusões não alcança a lua. Sinta-se orgulhoso da sua coragem, mas lembre-se de que “dar um tempo” pode ser uma estratégia prudente e sábia.
Essas batalhas inúteis em nossas vidas…

Ninguém sabe o quanto uma batalha ou um sonho são inúteis até que a realidade os atinja com toda sua dureza.

Não importa se estamos falando de um emprego, de uma amizade ou relacionamento; a vida é uma sucessão de momentos em que somos testados e de momentos felizes que nos trazem muitas alegrias. O importante é aprender com cada experiência vivida.

Você pode ter cometido muitos erros e deixado muitas coisas para trás. Deve se lamentar por isso? Nunca. Lamentar um erro é alimentar a amargura por uma determinada escolha que fizemos ao longo da vida.
Os erros devem ser assumidos, entendidos, processados e integrados ao que chamamos de “baú das experiências”. Se esses erros lhe trazem péssimas recordações, não alimente esse sentimento. As recordações desagradáveis devem ser substituídas pelo aqui e agora, pela felicidade de hoje.

Nenhuma batalha é perdida, porque é vida vivida e lições aprendidas. O importante é perceber o quanto antes se um projeto merece ou não os nossos esforços e sacrifícios.
Qual é a hora certa de desistir?

Pode ser que nesse exato momento, muitos de nós estejamos alimentando esperanças por um projeto que não vale a pena.

Vamos refletir um pouco a esse respeito:

1- O poder das falsas expectativas
Às vezes, caímos na armadilha de culpar os outros por alimentar nossas falsas ilusões, quando na realidade a responsabilidade é nossa. Algumas pessoas desejam aquele emprego dos sonhos, mas não têm qualificação nem formação para assumir esse cargo.

Outros fixam todas as suas emoções e ansiedade em uma determinada pessoa que nunca lhes deu a menor atenção e nem demonstrou qualquer sentimento por eles. Não podemos perder de vista a objetividade, o equilíbrio e as perspectivas.

2- O custo emocional
Essa força interior que chamamos de emoção é, na verdade, um motor poderoso e muito perigoso. Em muitas ocasiões nos faz dar até nosso último suspiro pela pessoa amada.
Não vemos os limites e abrimos nosso coração sem ler o manual de instruções. Esse manual deveria nos alertar: seja cauteloso, proteja sua autoestima. Mas nem sempre prestamos atenção nessa voz interior.
Temos que acreditar que também merecemos receber. Você pode me oferecer amizade, apoio, cumplicidade, respeito e reconhecimento?

Esse relacionamento afetivo alimenta suas ilusões? Seu parceiro está tão comprometido quanto você? Se não for assim, reflita e tome sua decisão.
Batalhas inúteis são todas as pessoas egoístas que não nos reconhecem e que acabam com as nossas forças e nossos sonhos ao invés de nos apoiar.

Esqueça o passado, siga em frente. Só você sabe onde está e principalmente onde quer chegar."

Fonte: http://amenteemaravilhosa.com.br/batalhas-inuteis/

9 de fevereiro de 2016

Com o coração... por Ana Jácomo [texto belissimo, sensivel e poético]


"Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme.
 Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blábláblá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o diz-que-me-diz-que, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.

Hoje eu não quero aquelas conversas contraídas pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. 
Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a freqüência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam.
 Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria agüentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.

Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tinha jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Se tinha algum apelido na escola. Se consegue se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. 
Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.

Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. 
A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês.

 A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.

Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.

Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras."

Autoria:Ana Jácomo
Fonte: Blog:A ilha de um homem só
 http://arkhipelago.blogspot.com.br/search/label/Ana%20J%C3%A1como

4 de fevereiro de 2016

Atitudes que provocam perda de energia vital...


"Todas as vezes que escrevo sobre energias, mais precisamente sobre o relacionamento energético entre os seres humanos, recebo dezenas de mensagens de leitores reclamando e pedindo soluções para o roubo de energia. Essas pessoas sempre apontam colegas de trabalho, familiares, amigos e determinados locais como os responsáveis pela sua debilidade energética. Não posso negar que realmente existem pessoas complicadas e ambientes não muito agradáveis.Hoje chamaremos a atenção de vocês para alguns aspectos importantes.

Por mais que existam pessoas desequilibradas e difíceis nós é que somos responsáveis pelas nossas energias e cabe a cada um de nós preservá-la e administrá-la da melhor forma possível. Existem “receitinhas”, orações, banhos, cristais e um arsenal de proteção, que são válidos e eficientes até um certo ponto. Porque aquele que não assume a responsabilidade por suas venturas e desventuras sempre estará vulnerável às energias ao seu redor.
Para ajudar a refletir, fiz uma listagem de doze atitudes (e olhe que a lista é imensa!) que gastam uma tremenda energia vital. Uma vez desvitalizado e sem proteção fica fácil para qualquer um chegar perto e perturbar seu equilíbrio. Use esta listagem também para pensar porque a prosperidade às vezes passa longe de você. A energia que seria usada para atrair o bem, a felicidade, o amor, o dinheiro acaba sendo gasta de forma inadequada. Confira a listagem e veja o que precisa ser modificado em sua vida!

1) A falta de cuidado com o corpo e hábitos errados

Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer sempre são colocados em segundo plano. A correria da vida diária e a competitividade das grandes cidades faz com que acabemos negligenciando aspectos básicos para a manutenção de nossa saúde energética. Quando a saúde física está comprometida, a aura se ressente, ficando menor e menos brilhante, comprometendo nosso sistema de defesa energético. Os exercícios físicos são sempre úteis por nos ajudar a movimentar e eliminar as energias estáticas. As pessoas que são dependentes químicos apresentam verdadeiros rombos na aura e isso as predispõe a toda sorte de assédios espirituais e vampirismo energético.

2) Pensamentos obsessivos

Pensar gasta energia e todos nós sabemos disso: ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho corporal. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos e esse é, aliás, um mal do homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando muita energia. Pensamos tanto que não sobra vitalidade para tomar uma atitude concreta e, o pior, alimentamos ainda mais o conflito. Devemos não só estar atentos ao volume de pensamentos, mas também à
qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados nos recarregam, ao passo que a negatividade e pessimismo consomem energia e atraem mais negatividade para nossas vidas. Observe: pensando você conseguiu resolver o problema? Quase sempre a resposta é ‘não’. Então, mude de atitude. Relaxe, use uma música suave
e entregue o problema para o universo resolver. Mesmo que isso aconteça apenas por alguns poucos minutos. Durante esse tempo sua mente estará descansando.
Quando a mente silencia, permite que sua intuição, seu anjo da guarda, Deus, Eu Superior ou o que você acreditar, converse com você e lhe traga inspiração e criatividade e isso se reverte em mais energia.

3) Sentimentos tóxicos

Se você sofre um choque emocional ou sente uma raiva intensa, pode estar certo, até o final do dia estará simplesmente esgotado energeticamente. Juntamente com a raiva você queimou altas doses de sua energia pessoal. Imagine agora um ser que nutre ressentimentos e mágoas, às vezes durante anos seguidos. De onde você acha que vem o combustível para alimentar esses sentimentos tão densos? Não é à toa que muitas dessas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas, afinal, a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade está sendo gasta na manutenção de sentimentos negativos.
Medo gasta energia, culpa também, já a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos e elevados, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima e principalmente a alegria e bom humor recarregam nossa energia e nos dão força para empreender projetos e superar obstáculos.

4) Fugir do presente

Onde eu coloco a minha atenção aí coloco a minha energia. É tendência freqüente do ser humano achar que no passado as coisas eram mais fáceis: ‘bons tempos aqueles!”. Tanto os saudosistas, que se apegam aos prazeres do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas e desatinos de tempos atrás, estão colocando suas energias no passado. Por outro lado temos os sonhadores ou aqueles que vivem numa eterna expectativa do futuro, depositando nele sua felicidade e realização. Viver no tempo passado ou futuro faz com que sobre pouca ou nenhuma energia no tempo presente. E é somente no presente que você constrói sua vida. O passado e o futuro dependem unicamente do seu momento presente.
Aquele que vive sempre no tempo errado não tem em mãos uma dose de energia suficiente para se proteger das energias e locais densos.

5) Falta de perdão

Perdoar significa soltar. Soltar ressentimentos, mágoas, culpas. Soltar o que aconteceu e olhar somente para a frente e viver o presente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos e gastamos menos energia alimentando feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres e abertos para a felicidade. Aquele que não sabe perdoar os outros e a si mesmo, fica ‘energeticamente obeso’, carregando fardos do passado e isso requer muita energia.

6) Mentira pessoal

Todos nós mentimos ao longo de nossas vidas e sabemos quanta energia é gasta posteriormente para sustentar a mentira e, quase sempre, acabamos sendo pegos.
Imagine agora quando ‘você é a mentira’. Quanta energia gastamos para sustentar caras, poses, desempenhos que não são autênticos!!! Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos. A mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, a mártir, o intelectual, a lista é enorme. Quando somos nós mesmos a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço. O mesmo não é válido quando queremos desempenhar um papel que não é o nosso.

7) Viver a vida do outro

Ninguém vive só, através dos relacionamentos interpessoais evoluímos e nos realizamos. Mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio que traz senso de limite e respeito por si e pelo espaço do outro nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, será a frustração. Quando interferimos na vida alheia, nos misturamos com o carma negativo do outro e trazemos isso para nossa vida.

8) Bagunça e projetos inacabados

A bagunça afeta de forma muito negativa as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque bem legal para os períodos confusos é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa, os documentos e tudo o que mereça uma boa faxina. À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem a mente e o coração. Pode não resolver o problema, mas nos ajuda bastante e traz um grande alívio.
Outra forma bem eficiente de perder energia é não terminar tarefas. Todas as vezes, por exemplo, que você vê aquela blusa de tricô que não concluiu, ela lhe diz inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou! E isso gasta uma energia tremenda! Ou você termina definitivamente a blusa ou livre-se dela e assuma que não vai terminá-la. O importante é tomar uma atitude.
O desenvolvimento do auto-conhecimento, da disciplina e da determinação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão tempo e energia.
E lembre-se, bagunça e sujeira são ótimas moradas para energias densas e desarmoniosas.

9) Afastamento da Natureza

A Natureza é nossa maior fonte de alimento energético e, além de nutrir, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energias. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais. Procure, sempre que possível, estar junto à Natureza. Você também pode trazê-la para dentro de sua casa ou local de trabalho. Além de um ótimo recurso decorativo, as plantas humanizam os ambientes, nos acalmam e absorvem as energias negativas e poluentes.

10) Preguiça, negligência

E falta de objetivos na vida. Esse ítem não requer muitas explicações:
negligência com a sua vida denota também negligência com seus dons e potenciais e, principalmente, com sua energia vital. Aquilo do que você não cuida, alguém vem e leva embora. O resultado: mais preguiça, moleza, sono….

11) Fanatismo

Passa um ventinho: “Ai meu Deus!!!! Tem energia ruim aqui!!!” Alguém
olha para você: “Oh! Céus, ela está morrendo de inveja de mim!!!”
Enfim, tudo é espírito ruim, tudo é energia do mal, tudo é coisa do outro
mundo. Essas pessoas fanáticas e sugestionáveis também adoram seguir “mestres e gurus” e depositar neles a responsabilidade por seu destino e felicidade. É fácil, fácil manipular gente assim e não só em termos de energia, mas também em relação à conta bancária!

12) Falta de aceitação

Pessoas revoltadas com a vida e consigo mesmas, que não aceitam suas vidas como elas são, que rejeitam e fazem pouco caso daquilo que têm. Esses indivíduos vivem em constante conflito e fora do seu eixo. E, por não valorizarem e não tomarem posse dos seus tesouros – porque todos nós temos dádivas – são facilmente ‘roubáveis’. O importante é aprender a aceitar e agradecer tudo o que temos (não confundir com acomodação).

 Quando você agradece e aceita fica em estado vibracional tão positivo que a intuição e a criatividade são despertadas. Surgem, então, as possibilidades de transformar a vida para melhor!"

Autora: Vera Cabalero.
Fonte:http://pensopositivo.com.br/doze-maneiras-de-jogar-a-energia-fora/

26 de janeiro de 2016

O problema raiz de todos os problemas por OSHO


“O problema raiz de todos os problemas é a própria mente.
 Assim, a primeira coisa a ser compreendida é o que vem a ser a mente, de que matéria é feita, se é uma entidade ou apenas um processo, se é substancial ou apenas ideal.
 A não ser que conheças a natureza da mente, não poderás resolver nenhum dos problemas de tua vida.

Em primeiro lugar:
 A mente não existe como uma entidade; apenas os pensamentos existem.

Em segundo lugar: 
Os pensamentos existem separados de ti; não são ligados à tua natureza. Eles vêm e vão - tu permaneces, tu persistes. Tu és como o céu: Nunca vem, nunca vai, está sempre ali.

Observa profundamente e te tornarás o hospedeiro e terás pensamentos como hóspedes.
 Como hóspedes, eles são belos; mas se esqueces completamente que és o hospedeiro, eles se tornam os hospedeiros e tu ficas em confusão. Isso é o inferno. Tu és o dono da casa, a casa te pertence, mas os hóspedes se tornaram donos.
 Recebe-os, cuida deles, mas não te identifiques com eles; de outra maneira, eles se farão senhores.

A mente torna-se problema porque tomaste os pensamentos tão profundamente, dentro de ti, que esqueceste por completo a distância, o fato de eles serem visitantes, de irem e virem.

Há, naturalmente, bons e maus visitantes, mas não precisas preocupar-se com eles. 
Um bom hospedeiro trata todos os hóspedes da mesma maneira, sem fazer distinções. Um bom hospedeiro é apenas um bom hospedeiro:
 Quando um mau pensamento surge, ele trata o mau pensamento da mesma forma como trataria um bom pensamento.

Gurdjieff costumava dizer que só uma coisa é necessária: Não se identificar com o que vem e vai. A manhã vem, depois dela o meio-dia, vem a tarde, e todos eles se vão. Chega a noite e, novamente, a manhã. 
Tu permaneces - não como tu, porque isso também é um pensamento, mas como pura percepção. Não o teu nome, porque isso também é um pensamento; não tua forma, porque isso também é um pensamento; não teu corpo, porque um dia compreenderás que também ele é um pensamento. Apenas pura percepção, sem nome, sem forma: Somente a pureza, somente o que não tem forma nem nome, somente o próprio fenômeno de estar consciente - só isso é duradouro.”

OSHO

Princípios de mudança de vida por Jeff Foster


"Os 10 princípios de mudança de vida e do despertar espiritual.

1. Não existe destino; HÁ SOMENTE AGORA.

Há somente Isso; o atual cenário do filme da sua vida. A história épica de tempo e espaço, passado e futuro, pesar e antecipação, e a busca de diferentes
estados e experiências, até mesmo a busca de iluminação espiritual.

Relaxe o seu foco habitual sobre 'o que se foi', 'o que ainda não está aqui' - coisas que você não pode controlar de onde você está.

Saia da história de 'Minha vida' e permita-se ficar fascinado por aquilo que está vivo, aqui, agora. Seja curioso sobre esta dança viva de pensamentos, sensações, sentimentos e impulsos que estão acontecendo onde você está.
Lembre-se, agora é o único lugar a partir do qual respostas verdadeiras podem
eventualmente surgir.
O momento presente é a sua verdadeira casa, antes do tempo e do espaço.
É tudo o que existe; a calma no meio da tempestade.

2. Pensamento e Resistência criam sofrimento

A dor não é o problema real; o verdadeiro problema é o nosso pensamento sobre a dor, a nossa resistência ao desconforto, a nossa tentativa de fugir de tudo e chegar a um futuro imaginado.
O verdadeiro problema começa quando começamos a ruminar sobre a nossa dor, a nossa tristeza, nossos medos, nossa raiva; remoendo nossos desconfortos, retrocedendo e avançando o o filme de nossas vidas!
Nós mastigamos as tristezas de ontem e de amanhã, em vez de explorar diretamente e vivenciar experiências de hoje assim que elas chegam.
Nós adicionamos uma camada desnecessária de ruminação e resistência à vida, e isso cria sofrimento.

O convite? Saia do passado e do futuro, buscando e lutando, e conheça a vida na matéria, agora, sem julgamento, e sem a expectativa de que a "paz", "o relaxamento", "a iluminação" ou qualquer tipo de mudança acontecerá algum dia. Conheça o momento em seus próprios termos; veja tudo como um presente. Abra-se ao agradável e ao desagradável, ao prazer e a dor, sem nenhuma agenda.

3 - Pensamentos e sensações não são pessoais, e não são verdadeiros. 

Veja pensamentos e sensações como eventos neutros e impessoais na Consciência. 

Assim como os sons que ouvimos, pensamentos e sensações físicas surgem e 
desaparecem espontaneamente, como as ondas do oceano de Você. Eles não podem ser controlados ou excluídos. 
Cultive a mesma atitude gentil para com pensamentos e sensações como as que você já tem no sentido de sons. 
Conheça todos os pensamentos e sensações com uma atitude de bondade e curiosidade.
Veja-os como convidados bem-vindos em sua presença.

4. Você é o espaço para os pensamentos acontecerem, NÃO O PENSADOR DELES.

Os pensamentos não são você, e eles não são a realidade; eles são apenas 
sugestões, possibilidades, boatos, propaganda, julgamentos, vozes, imagens, 
rebobinadas e retornam, indo e vindo - nuvens no céu vasto que é você. 

Não tente o silêncio ou pará-los, nem excluí-los ou controlá-los. Seja o espaço para eles, mesmo que eles sejam muito ativos neste momento! 
Lembre-se, se você observar os pensamentos, se você estiver ciente deles, 
você não está preso a eles. Eles não definem você. 
Você é o recipiente em silêncio, não aquilo que é contido. 
Seja o que você é - a imutável, a vastidão em que os pensamentos podem entrar e sair quando quiserem.

5.Respire para dentro da dor e desconforto; Honra a Ti mesmo.

Respire as sensações desconfortáveis; de-lhes dignidade. Honre-as ao invés de se fechar a elas.

Na inspiração, imagine ou sinta sua respiração se movendo para a área dolorosa 
e, infundindo-lhe a vida e o amor. Encha esta área desconfortável em seu corpo com oxigênio, calor e dignidade.
Não tente "curar" as sensações. 
Elas querem ser atendidas, honradas, incluídas no atual cenário. Suponha que até mesmo o desconforto detém uma inteligência; que não é "contra" você. 

Saiba que a verdadeira alegria não é a ausência ou oposto de tristeza ou de dor, mas a vontade de abraçar tudo, de envolver tudo, mesmo a dor, com aceitação e amor.

6 - Aceitação não é algo que você "faz". Aceitação é o que VOCÊ É.

Aceitação não significa que um pensamento desagradável ou sentimento vai embora; ele pode permanecer por algum tempo. Não tente aceitá-lo (isso é muitas vezes a resistência disfarçada), mas reconheça que já é aceita, já aqui, já faz parte da cena. 

Trate-a como se ela estivesse sempre aqui! 
Isso remove a pressão do tempo (tentando fazer isso ir embora, perguntando por que ele é "ainda está aqui"). 
É aqui, agora. Curve-se ante a esta realidade. Seja curioso. E permita que qualquer impulso e sentimentos de frustração, tédio, decepção ou até mesmo desespero, possam chegar, e serão também incluídos. Todos eles fazem parte do atual cenário. Até mesmo uma sensação de bloqueio faz parte da cena!

7 - NÃO existe nem 'sempre' e nem 'nunca'

Na realidade, não existe 'sempre' e nem 'nunca'. Esteja atento a estas palavras; são mentiras, e pode criar um senso de urgência e impotência; eles alimentam a história de busca e falta. Não há um 'resto da minha vida ", nem " por anos ", nem" durante todo o dia ". 

Há apenas Agora, seu único lugar de poder.

Às vezes, mesmo pensando no amanhã dá muito trabalho. Seja aqui.

8. Você pode ter apenas "o lá" se for 'o AQUI'

Muitas vezes nos concentramos tanto no objetivo ou o destino que esquecemos a viagem; desconecte-se de cada etapa preciosa e o stress é criado, a sensação
de que 'não somos bons o suficiente'.
No entanto, a alegria só pode ser encontrada no aqui e agora, e nada tem a
ver com os objetivos, destinos, ou conseguir o que se quer.

Tire o foco das 10.00 etapas que estão por vir, dos 10.000 passos que você ainda não percorreu, das 10.000 coisas que estão faltando agora, e lembre-se da presente etapa, esta antiga terra onde se está agora, a sua própria presença interior.

Respire. Sinta a vida em seu corpo. Muitas vezes, não sabemos para onde estamos indo, e isso é perfeitamente aceitável. Faça amizade com qualquer incerteza, dúvida, trepidação que você sinta; aprenda a amar este lugar sagrado de respostas. Ele está vivo e criativo, e cheio de potencial.

9. Abrace seu TROPEÇO; Ele é perfeito também

Se você perceber que está perdido em uma história, que você está desconectado, que você tenha esquecido o momento, comemore.
Você acabou de acordar de um sonho.

A grande inteligência está viva em você, no poder de perceber e se conectar. Você saiu de milhões de anos de condicionamento. Não puna a si mesmo por esquecimento, mas celebre a sua capacidade de lembrar!

O momento não se importa que você o esqueceu!
Esquecer é uma cena perfeita no filme. Permita-se esquecer, por vezes! Ser humilhado pela viagem ao invés de tentar ser "perfeito".
Dúvidas, decepções e desilusões serão amigos constantes ao longo do caminho
intransitável.

Não há destino na presença, nenhuma imagem de "sucesso" para se viver. Nada pode dar errado, quando não há nenhuma imagem de 'certo'.

10. Pare de comparar; VOCÊ É A PRÓPRIA VIDA!

Você é único; sua viagem é totalmente original. Podemos todos ser expressões do mesmo oceano de consciência, mas, ao mesmo tempo, somos todos expressões únicas do oceano, totalmente originais na nossa onda-consciência!

Não se compare com ninguém!

Quando você começa a comparar, você desvaloriza a sua própria originalidade,
sua presença insubstituível, talentos e verdades, e desconecta inclusive de sua
experiência presente.

Não compare este momento com qualquer imagem de como poderia, deveria, ou poderia ter sido.

A cura é possível quando você diz SIM para onde você está agora, mesmo que isso não seja onde você sonhou que seria 'por agora'.

Confiança, confiança sempre, mesmo quando você não possa confiar. Talvez até mesmo a sua incapacidade de confiança possa ser confiável aqui, e até mesmo a sensação de que você não consegue controlar o momento, seja em si, uma celebração do instante ..

- Jeff Foster
Fonte:http://ventosdepaz.blogspot.com.br/

24 de janeiro de 2016

Aprendendo a ser confiante...


"É importante compreender que existem coisas na vida que são incontroláveis. Vamos supor que você tenha um problema que não consegue resolver.
 De repente, se vê num estado de medo, impotência e estresse. Nessa hora, o melhor caminho é relaxar e jogar essa sua questão nas mãos da luz. Infinita, ela proporcionará uma solução. Basta confiar na luz e sua vida com certeza fluirá.

Não adianta se preocupar nem ficar querendo controlar a tudo e a todos. Aliás, querer controlar a vida é um dos grandes erros da humanidade. Nada e nem ninguém é controlável, mas a gente resiste a essa ideia. Muitos pais tentam controlar os filhos. À medida que crescem, eles começam a mentir, enganar. Ou seja, se fecham como forma de defesa, e se afastam.

Você já reparou na diferença entre querer controlar e influenciar? Influenciar é uma proposta mais aberta, menos invasiva, que consiste em passar determinados valores sem aquela conduta doentia de querer ordenar.

Diante de imposições, qualquer um se sente reprimido, sem luz e alma para agir com liberdade. Controlar é um conceito que não funciona na educação, e muito menos no convívio. Observe o casamento. Quando o marido ou a mulher tentam dominar um ao outro, o amor vai embora e os dois se afastam. A mesma coisa posso dizer em relação ao apego. Se você é apegada, não tem luz. 
Volto a dizer: ninguém é de ninguém.

Gostar não é prender, é soltar.
 Naturalmente a gente procura pessoas que nos deixam à vontade. Chega a ser interessante: você deixa o indivíduo tão confortável, porque não quer dominá–lo, e ele se sente tão bem que a procura. Ele gosta de você sem esforço. A grande conquista é estar em si, na própria luz. Assim, o amor, o carinho e o bem vêm.

Aprendi a não me envolver com as pessoas e os ambientes. 
Se você gosta de alguém, não pode se envolver a ponto de sofrer com os problemas dessa pessoa. Não preciso passar por uma coisa ruim para ajudá-la. Isso não é inteligente! Em vez disso, jogo luz na pessoa. 
A alma dela é que vai identificar o melhor caminho a seguir. Para que tentar controlar uma situação que não me pertence?
 A luz fala por si! Confie e se entregue a ela e tudo funcionará ao seu redor."

 Luiz Gasparetto

16 de janeiro de 2016

Como definir maturidade emocional? por Flávio Gikovate


"Penso que a maturidade emocional se caracteriza pelo atingimento de um estado evolutivo no qual nos tornamos mais competentes para lidar com as dificuldades da vida e por isso mesmo com maior disponibilidade para usufruir de seus aspectos lúdicos e agradáveis.

Talvez a principal característica da pessoa madura esteja relacionada com o desenvolvimento de uma boa tolerância às inevitáveis frustrações e contrariedades a que todos nós estamos sujeitos. Tolerar bem frustrações não significa não sofrer com elas e muito menos não tratar de evitá-las.
 A boa tolerância às dores da vida implica certa docilidade, capacidade de absorver os golpes e mais ou menos rapidamente se livrar da tristeza ou ressentimento que possa ter sido causado por aquilo que nos contrariou.

Pessoas maduras também se aborrecem com as frustrações, mas não “descarregam” sua raiva sobre terceiros que nada têm a ver com o que lhe ocorreu. Freud dizia que a maturidade se caracterizava pela substituição da raiva pela tristeza e penso que ele tinha razão. Acrescentei mais um ingrediente, qual seja, o de que devemos tratar de nos livrar da tristeza o mais depressa possível.

A maturidade emocional tem muito a ver com o que, hoje em dia, se chama de inteligência emocional (I.E.): competência para se relacionar com pessoas em todos os ambientes, habilidade para evitar conflitos desnecessários e até mesmo tentar harmonizar interesses e agir sempre em prol da construção de um clima positivo e agradável nos ambientes que frequenta. Assim, a pessoa mais amadurecida busca também a evolução moral, condição que a leva a agir de modo equânime, atribuindo a si e aos outros direitos e deveres iguais.

Pessoas com boa I.E. também agem com certa estabilidade de humor, de modo que não são criaturas “de lua”, aquelas que nunca se pode saber com antecipação em que estado de humor estarão. É claro que a estabilidade de humor não significa estar sempre alegre e feliz; o humor das pessoas mais equilibradas é proporcional ao que está lhes acontecendo, sendo que os momentos de tristeza são vividos com dignidade e classe.

As pessoas mais tolerantes a frustrações, moralmente mais bem desenvolvidas e de humor estável são capazes de despertar a confiança daqueles que com elas convivem. Assim, tornam-se bons parceiros sentimentais, bons amigos, sócios, colegas de trabalho…

A maturidade acaba vindo acompanhada de uma série de boas propriedades e elas são motivo de satisfação dos que foram capazes de avançar na direção de conquistá-la. É claro que o processo de evolução é interminável e jamais deveríamos nos considerar como um “produto acabado”; estar sempre progredindo tende a determinar um estado de alma positivo, um justo otimismo em relação ao futuro – sim, porque quem está crescendo pode esperar mais coisas boas para si lá adiante.

Outra característica da maturidade é o senso de responsabilidade sobre si mesmo, assim como o desenvolvimento de uma sólida disciplina: isso significa controle racional sobre todas as emoções, especialmente a preguiça. Uma razão forte também exerce controle e administra a inveja, os ciúmes, os anseios eróticos e românticos, assim como a raiva e a agressividade

 Controlar não significa reprimir e muito menos sempre deixar de agir de acordo com as emoções; significa apenas que elas passam pelo crivo da razão e só se tornam ação quando por ela avalizadas. Esse é mais um motivo para que sejam criaturas confiáveis, uma vez que exercem adequado domínio sobre si mesmas.

Os mais evoluídos emocionalmente tentem a ser mais ousados e a buscar com determinação a realização de seus projetos. Têm menos medo dos eventuais – e inevitáveis – fracassos, pois se consideram suficientemente fortes para superar a dor derivada dos revezes. Ao contrário, aprendem com seus tombos, reconhecem onde erraram e seguem em frente com otimismo e coragem ainda maior. Costumam ter melhores resultados do que aqueles mais ponderados e comedidos, condição que não raramente esconde o medo do sofrimento próprio dos que enfrentam os riscos.

Finalmente, para que possamos viver com serenidade e alegria, temos que aceitar uma propriedade essencial da nossa condição: somos governados pelo que chamo de “princípio da incerteza”; ou seja, não sabemos responder as questões essenciais que caracterizam nossa existência: qual o sentido da vida, de onde viemos, para onde vamos, por quanto tempo estaremos aqui etc. É sobre esse solo de areia movediça que temos que construir nosso castelo e fazê-lo com otimismo e persistência mesmo sabendo que ele pode ruir a qualquer momento."

Flávio Gikovate
Fonte:http://bemzen.uol.com.br/noticias/ver/2015/04/13/6445-flavio-gikovate

14 de janeiro de 2016

A vida é muito curta para ser pequena...


"Cuidado, a vida é muito curta para ser pequena.
 É preciso engrandecê-la. E, para isso, é preciso tomar cuidado com duas coisas: a primeira é que tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante. Cuida da carreira, do dinheiro, do patrimônio, mas deixa o importante de lado. Depois não dá tempo.’

A segunda grande questão é gente que se preocupa muito com o fundamental e deixa o essencial de lado. O essencial é tudo aquilo que não pode não ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso é essencial. Fundamental é tudo aquilo que te ajuda a chegar ao essencial. Fundamental é a tua ferramenta, como uma escada.

Uma escada é algo que me ajuda a chegar a algum lugar. Ninguém tem uma escada para ficar nela. Dinheiro não é essencial. Dinheiro é fundamental. Sem ele, você tem problema, mas ele, em si, não resolve. Emprego é fundamental, carreira é fundamental.
 O essencial é o que não pode não ser. Essencial é aquilo que faz com que a vida não se apequene. Que faz com que a gente seja capaz de transbordar. Repartir vida. Repartir o essencial, a amizade, a amorosidade, a fraternidade, a lealdade.
 Repartir a capacidade de ter esperança e, para isso, ter coragem. Coragem não é a ausência de medo.

Coragem é a capacidade de enfrentar o medo. O medo, assim como a dor, é um mecanismo de proteção que a natureza coloca para nós. Se você e eu não tivermos medo nem dor, ficamos muito vulneráveis. Porque a dor é um alerta e a dor nos prepara. É preciso coragem para que a nossa obra não se apequene. E, para isso, precisamos ter esperança.

E, como dizia o grande Paulo Freire, “tem de ser esperança do verbo esperançar”. Tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. “Ah, eu espero que dê certo, espero que resolva, espero que funcione.”
 Isso não é esperança. 

Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir. Esperançar é achar, de fato, que a vida é muito curta para ser pequena. E precisamos pensar se estamos nos dedicando ao importante em vez de ao urgente. Tem gente que diz: “Ah, mas eu não tenho tempo”. Atenção: tempo é uma questão de prioridade, de escolha.

Quando eu digo que não tenho tempo para isso, estou dizendo que isso não é importante para mim. Cuidado, você já viu infartado que não tem tempo? Se ele sobreviver, ele arruma um tempo.
 O médico dizia “você não pode fazer isso, tem de andar todos os dias”. Se ele infartar e sobreviver, no outro dia você vai vê-lo, às 6 horas da manhã, andando. Se ele tinha tempo, que ele teve de arrumar agora, por que não fez isso antes? Você tem tempo? Se não tem, crie. 
Talvez precisemos rever as nossas prioridades. Será que estamos cuidando do urgente e deixando o importante de lado? Será que não estamos atrás do fundamental, em vez de ir em busca do essencial? E assim, contribuir com meu verso!"

Mario Sérgio Cortella

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